Céu Incandescente - Oglis

Os olhos de Hermes eram azuis, seu corpo era liso e branco, com pequenas manchas nas mãos e nos ombros, dedos finos e uma musculatura flexível, elegante. Ele era mais alto que Saulo, quando este ultimo encontrava-se em posição de caminhada, com as costas das mãos apoiadas no chão, mas tornava-se um anão, quando Saulo erguia-se em observação ou em posição de guerra, nestas horas, podia-se ver nos olhos do Homem um terror claro, apesar de conhecer a total ausência de perigo, Um Ogli só atacava a caça ou, na guerra, com um sorriso de presas a mostra, outro Ogli.

Hermes não conseguia formular a fonética do linguajar nativo, a configuração física de seus meios de fala nunca o permitiriam, mas Saulo possuía um a formação diferente e podia falar, embora em um tom um tanto quanto gutural, o que o amigo chamava de Esperanto, assim eles se comunicavam, facilmente.

O Ogli, conhecia bem o Humano, psicologicamente e fisicamente, em suas aulas de Corporea, a guisa de estudo, havia visto varias dissecações dos chamados Homens. Tinham um só coração, que bombeavam o sangue vermelho-forte, para todo o corpo, comparado ao sangue humano, o dos nativos, chegava a ser quase roxo, de um vermelho mais profundo, e eles possuíam dois corações, o primeiro alimentando quase todos os órgãos vitais, e um segundo, com cerva de metade do tamanho do anterior, que alimentava os órgãos genitais e o cérebro, enquanto o primeiro localizava-se na mesma posição do dos humanos, o segundo ficava alojado entre duas grandes placas ósseas, bem no centro do peito, um pouco acima do primeiro, na ligação entre a garganta e o tórax, a protuberância destas placas, mostrava-se sob a pela de Saulo de maneira proeminente, o que o tornava muito desejado pelas fêmeas de sua espécie, Homens e Oglis possuíam 2 pulmões, um fígado, dois rins, um pâncreas e todos os demais órgãos, diferente dos colonos, os nativos tinham seus testículos, na maioria do tempo, internos ao corpo, juntamente com o pênis, todo o conjunto era retratil e se exteriorizava quando a excitação tomava conta do seu corpo, diferentes motivos causavam diferentes reações, quando a excitação provinha do toque, ou como era comum na adolescência, da visão de uma fêmea que mexe-se com seus hormônios, o escroto e o membro se exteriorizavam, o membro ainda flácido, a espera de um contato, o controle destas exteriorizações era um dos sinais de que um Ogli estava entrando na fase adulta, Já na guerra, o escroto permanecia interno, mas o grande pênis expulsava-se do corpo rijo, roxo e imenso, colado ao ventre, em riste como uma lança, se em uma batalha um deles perdesse o pênis, em pouco mais de 3 meses outro já poderia ser encontrado no mesmo lugar, idêntico ao primeiro, o mesmo não acontecia com a bolsa escrotal, a perda da mesma, tornava um Ogli incapaz de reproduzir-se pelo resto de sua vida, por este motivo a seleção natural, havia protegido tão bem este ultimo órgão. Saulo e seus congêneres podiam regenerar outras partes de seu corpo, como uma mão ou um pé, apesar das dores da regeneração serem quase insuportáveis, a sociedade amparava o ferido com um complexo rito que durava por todos os meses da convalescença, neste período o Ogli isolava-se e protegia os cotos, pois sua aparecia era medonha, pútrida e repleta de fluidos, o cheiro era extremamente nauseabundo, Saulo Havia perdido a perna direita em sua primeira batalha e nunca esquecera do período de regeneração, um ano e meio, no calendário utilizado pelos humanos.

Mas a diferença anatômica que mais surpreendera Saulo, fora o cérebro, enquanto o dos Humanos alojava-se somente no alto da cabeça, nos Oglis, ele possuía uma extensão na nuca, que se estendia ate a junção desta mesma com o pescoço, esta parte do cérebro, chamada Cantia, crescia por toda a vida de um Ogli e era recoberta por placas ósseas justapostas, era responsável pelas memórias, em Oglis velhos, ela podia alcançar o centro das costas como se fosse uma pequena corcunda, a expectativa de vida era, em media de 180 anos terrestres, Saulo esta em seu 93º anos de vida, no apogeu de sua força física.

Cada fêmea da espécie só podia conceber uma vez na vida, pois expelia seu útero com o rebento, e vivia no máximo 40 anos terrestres, a sociedade era basicamente masculina em sua essência, mas havia uma proeminência de 6x1, no numero de fêmeas. Um Ogli, normalmente escolhia uma fêmea quando esta alcançava sua vida adulta, em torno de 20 anos e tornava-se monogamico, ate que ela partisse para o Irlo - A morada dos Deuses. Saulo possuíra cinco esposas e possuía 4 filhos. O primeiro, como sempre acontecia aos Oglis, era um macho, a sua segunda prole havia também já produzido o Varão, e a terceira também, a quarta estava em seu 18º mês de gestação e o seu próximo neto nasceria em mais ou menos 2 meses. Os Oglis não reconheciam a prole do segundo ramo feminino da família, Saulo só teria contato com os filhos de seus filhos machos, de seus netos machos e assim por diante. A sua ultima esposa fora morta na batalha de govis, junto com seu 5º Varão, recém nascido. Foi então que ele permitiu-se a peregrinação que por hora fazia, há 7 anos caminhava pelos campos de seu planeta.

Voltara as ruínas depois de anos, para organizar seus pensamentos, lembrava-se de Hermes com carinho protetor, sempre o achara muito frágil para o seu hostil planeta, e para suas criaturas, Hermes nunca sobreviveria sozinho por muito tempo, naquele lugar, mas mesmo assim, até sua morte, após 40 anos de proteção de Saulo, ainda guardava aquele ar de superioridade nos profundos olhos, nesta ocasiao sem o brilho de quando se conhecerão.

Morrera com aproximadamente 50 anos terrestres, e culpava o planeta por ir tão cedo....